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Obras no Teatro Camões vão acabar com infiltrações, aumentar espaço e luz natural
Time:2023-07-18
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Obras no Teatro Camões vão acabar com infiltrações, aumentar espaço e luz natural

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Obras no Teatro Camões vão acabar com infiltrações, aumentar espaço e luz natural

As obras de requalificação do Teatro Camões, sede da Companhia Nacional de Bailado (CNB), vão decorrer no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num investimento global de 5.894.175 euros, estando o espaço encerrado desde julho do ano passado.

Numa visita ao teatro, que marca o início das obras, que decorreu durante a manhã de hoje, ficou claro o estado de deterioração do edifício, sobretudo no que respeita a infiltrações que deixam entrar água um pouco por todo o lado.

Partes dos tetos do interior do edifício protegidos por plásticos colados com fita adesiva, baldes, vasilhas e bidões dispostos estrategicamente no chão das salas para apanhar a água que cai, o chão deteriorado e vigas de metal enferrujadas são apenas alguns dos sinais visíveis da incapacidade de a estrutura manter uma impermeabilização eficiente.

Ao longo dos corredores e escadas, erguem-se paredes com manchas negras de humidade, com tinta empolada, em algumas zonas já descascada, e com fios de água que escorrem, arrastando consigo marcas de ferrugem.

Ciente desta realidade, a presidente do conselho de administração do Organismo de Produção Artística (Opart), Conceição Amaral, afirmou que a principal preocupação nestas obras de requalificação é “mudar as condições de quem trabalha” naquela casa.

Além da intervenção que visa resolver os problemas estruturais, e que passa por mexer na cobertura toda do edifício, para impedir a entrada de água, impermeabilizar paredes e chão, climatizar o espaço e renovar esgotos, tubagens, camarins e casas de banho, houve também a preocupação de aproveitar a luz natural.

“Esta é uma zona de Lisboa com tanta luz, que seria estranho se não a aproveitássemos”, afirmou Conceição Amaral, acrescentando que também a luz exterior vai ser alterada, de forma a “afirmar o edifício como cultural” e torná-lo visível em noites de espetáculo.

Eficiência energética, modernização de equipamentos técnicos e criação de espaços específicos totalmente consagrados aos bailarinos, mas também aos funcionários do teatro, foram outros aspetos acautelados nesta restruturação do edifício.

A sala de espetáculos, onde fica o palco, é a que se encontra em melhor estado e que, excetuando alguns pontos com infiltrações, não precisará de nenhuma intervenção de fundo, para além de umas pequenas alterações, nomeadamente no que respeita à iluminação e à alcatifa, que serão substituídas.

A responsável adiantou que o sistema de som – que admitiu não ser bom -, o vídeo e a mecânica de cena também vão ser melhorados, mas numa obra que correrá paralelamente e que não está incluída nesta empreitada.

A obra interior mais profunda vai acontecer num andar de cima, que “vai ter mais alteração de ‘lay out’”, com demolição de paredes, quer para ampliar espaços, como para fazer janelas e deixar a luz entrar.

Nesse andar será criada uma sala de ‘marketing’ e comunicação, e ao lado uma sala de recuperação, descanso e convívio para os bailarinos, e um ginásio, com zona de fisioterapia.

Este espaço é uma grande aposta, porque até agora o Teatro Camões não tinha área para os bailarinos descansarem entre ensaios, o que normalmente faziam no exterior do edifício ou pelos corredores.

No mesmo andar, mas na fachada oposta (fachada sul) vão ficar as salas das costureiras, das provas e do guarda-roupa.

“Os figurinos estavam nos corredores” e as provas eram feitas sem um espaço próprio, indicou Conceição Amaral, sublinhando que foi feito um “investimento grande em maquinaria e máquinas de costura”.

“O espaço vai ficar todo muito mais aberto e luminoso”, destacou.

No último piso fica o estúdio de ensaios, que levará um chão totalmente novo, mas cuja grande mudança será mesmo “uma parede que vem toda abaixo para permitir a entrada de luz natural”.

Saindo do estúdio, um corredor conduz até a uma porta que dá acesso a um espaço exterior junto à cobertura, que estava desaproveitado, mas que agora será transformado num terraço para usufruto de todos os funcionários do teatro.

Também a porta que dá acesso ao terraço vai ser transparente para deixar entrar luz no corredor.

Após a visita, o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, considerou que “com o estado de degradação que o teatro atingiu, era fundamental fazer obras de conservação, mas também para criar melhores condições de trabalho” a todos os que ali trabalham e melhorar a experiência de quem vai assistir a espetáculos da companhia.

Conceição Amaral assinalou que “viver dentro de uma caixa de ferro praticamente sem luz natural não é bom para o dia-a-dia e para a saúde das pessoas no trabalho”.

A responsável destacou que apesar do atraso desta obra em relação à data inicial, não há atrasos face ao cronograma do PRR, que estabelece como prazo o terceiro trimestre de 2024.

A presidente do Opart afirmou que, “se tudo correr bem”, em setembro a obra está terminada e em outubro o teatro reabre ao público “com uma grande produção da CNB”.

Falando especificamente do investimento que tem sido feito pelo Opart, Conceição Amaral indicou que em 2022 foi na ordem dos 400 mil euros, em 2023 rondou um milhão e em 2024 foi de cerca de quatro milhões.

O Teatro Camões encerrou em julho do ano passado para preparação das obras de reabilitação, no âmbito do PRR, com término inicialmente previsto para abril deste ano, entretanto adiado.

A seguir ao encerramento do teatro, em julho do ano passado, conforme previsto, deu-se a desinstalação das pessoas e equipamentos, e respetiva realocação, nos Estúdios Victor Córdon e Teatro Nacional de São Carlos, o que “decorreu normalmente”, segundo a responsável.

No entanto, o primeiro concurso público lançado para a obra, em maio do ano passado, ficou vazio, tendo perdido efeito em junho, o que obrigou ao lançamento de um novo concurso, ainda nesse mês, explicou, justificando assim o atraso relativamente ao calendário inicialmente previsto.

Só com a empresa selecionada e vencedora do concurso (em final de agosto) foi possível assinar o contrato em início de outubro.

Findos todos os procedimentos legais, apenas em janeiro decorreu o auto de consignação e restantes formalidades necessárias para dar início à obra.

Um 'corridinho' de memórias e acontecimentos retratados no livro "50 anos de Abril no Algarve"

A obra, lançada em fevereiro, no ano em que se assinalam 50 anos da Revolução de Abril, desenrola-se em ciclos cronológicos, passando pelas primeiras eleições livres até à queda do atual Governo, entre convulsões políticas, tragédias, atentados, casos policiais e outras histórias, contou à Lusa o autor.

“Com base na minha memória e no meu arquivo jornalístico pessoal achei que seria oportuno contar os acontecimentos mais marcantes deste período, reavivando memórias dos primeiros tempos do 25 de Abril”, referiu.

O ponto de partida da obra é o período entre 1974 e 1976, “os anos de brasa”, em que decorreram as primeiras eleições livres em Portugal e também um acontecimento marcante no Algarve, conhecido como o assalto ao Governo Civil de Faro.

O episódio aconteceu no dia 26 de outubro de 1975, altura em que o governador civil de Faro era Júlio Almeida Carrapato: “Cerca de duas centenas de pessoas ocuparam o Governo Civil. Podia ter tido consequências muito graves, podia ter sido sangrento, mas felizmente não foi”, recordou.

Depois deste acontecimento, promovido pela esquerda revolucionária, houve outro momento marcante na história política algarvia, mas em sentido contrário: a direita cercou a sede do PCP em Faro, mas uma barreira de proteção militar evitou que houvesse problemas.

Com um percurso de 40 anos como jornalista, a maioria dos quais na TSF, Ramiro Santos quis recuperar memórias “que se vão perdendo”, mas também traçar o retrato de um Portugal “rural, atrasado e subdesenvolvido” às gerações mais jovens.

“[O livro] Serve também para que as novas gerações não se esqueçam do que era Portugal antes da revolução: um país obscuro, analfabeto e onde tudo estava por fazer”, sublinhou.

Outros dos episódios retratados no livro é um dos mais mediáticos atentados ocorridos em Portugal: o atentado de Montechoro, que ocorreu em 10 de abril de 1983 no antigo Hotel Montechoro, em Albufeira, onde decorria o congresso da Internacional Socialista.

Issam Sartawi, médico, conselheiro de Yasser Arafat e representante da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) no congresso, foi morto a tiro no átrio do hotel, tendo o atirador abandonado o local a pé, sem ser detido, ato terrorista reivindicado pela organização extremista palestiniana de Abu Nidal.

A arma do crime foi encontrada, justamente, por Ramiro Santos, que estava a fazer a cobertura do congresso: “a polícia andava à procura [da arma] num jardim em frente ao hotel e andava por ali eu e mais alguns jornalistas. Ao levantar-me, agarrei-me a uma sebe e, por debaixo de um tronco seco, estava a pistola num pano”, relatou.

Os tempos do ‘cavaquismo’, com Cavaco Silva, e do ‘guterrismo’, com António Guterres, a queda do governo de José Sócrates após o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV e a ‘geringonça’ que permitiu a António Costa formar governo em 2015 são outros dos momentos retratados no livro.

Ramiro Santos faz ainda uma passagem pelo maior desastre de avião ocorrido em Faro, em 1992, por dois casos judiciais que marcaram o Algarve: os casos Maddie e Joana, ambas desaparecidas sem deixar rasto, abordando também a guerra na Ucrânia, a pandemia de covid-19 e a ‘bazuca’ europeia.

Na obra cabem ainda testemunhos de figuras como Carlos Brito, Teresa Rita Lopes, André Jordan, falecido este mês, Margarida Tengarrinha, Joaquim Magalhães e António Ramos Rosa, entre outros.

Na parte final do livro encontra-se uma compilação dos resultados de todas as eleições legislativas até hoje, assim como dos presidentes de Câmaras do Algarve, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, do Turismo do Algarve e governadores civis.

O livro, editado pela Guerra e Paz, é apresentado no dia 24 de março em Faro e em 08 de abril em Lisboa.

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